Jander Bezerra da Silva esperou por 42 minutos até ter “o momento oportuno”, antes de matar William Aparecido Henrique Ferreira, de 25 anos, em uma farmácia de Londrina, no norte do Paraná. A informação foi descrita na sentença dele, que o condenou a 16 anos e seis meses de prisão pelo crime.
Conforme a decisão do tribunal do júri, realizado nesta terça-feira (10), Jander cometeu homicídio qualificado por motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima. A defesa dele informou que apresentou recurso sobre a decisão. Leia a manifestação na íntegra clicando aqui.
No dia 27 de fevereiro de 2025, uma câmera de segurança da farmácia onde William trabalhava filmou o momento em que o homem entra no local, chama o jovem e atira contra ele. Assista acima.
A sentença cita que a perícia no celular de Jander também encontrou vídeos do réu manuseando uma arma semelhante à usada no crime, gravados cinco dias antes do assassinato.
Jander se recusou a falar no interrogatório como conseguiu a arma, mas disse que não planejou o crime.
Entretanto, ele contou que cometeu o crime porque sabia que a esposa dele e William se relacionaram brevemente enquanto a mulher estava solteira. Jander disse ter lido no celular da companheira, antes do homicídio, que o jovem pretendia estudar na mesma faculdade que ela. “Fiquei com muitos ciúmes, perdi a cabeça”, relatou.
À época do crime, o delegado Miguel Chibani, da Polícia Civil (PC-PR) apurou que essa relação havia acontecido há mais de um ano, ou seja, em entre 2023 e 2024.
Relembre o caso:
No dia 27 de fevereiro de 2025, por volta das 11h25, Jander entrou na farmácia, na Avenida Inglaterra, e pediu diretamente a William um medicamento.
As imagens divulgadas mostram a vítima indo até as prateleiras, momento em que o homem aponta o revólver na cabeça dela e tenta disparar pela primeira vez, mas a arma falha.
A gravação também mostra que William escutou o barulho e se afastou. Em seguida, foi atingido por pelo menos dois disparos.
O atirador saiu correndo e fugiu em uma motocicleta, de acordo com a Polícia Militar (PM-PR). Ele usava boné, mochila, moletom com capuz e calça.
Apesar da chegada do Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (Siate), William não resistiu aos ferimentos e morreu no local.
William Aparecido Henrique Ferreira era de Cambará, mas vivia em Londrina. As cidades ficam a 137 quilômetros de distância.
Ele completou 25 anos em janeiro de 2025 e trabalhava na rede de farmácias há três anos, segundo a polícia.
Assim que o crime aconteceu, a PM recebeu informações anônimas sobre a identidade do suspeito. Os detalhes foram repassados à Polícia Civil, que iniciou as investigações.
Os policiais chegaram até a casa de Jander Bezerra da Silva, onde tiveram a entrada permitida pela esposa do suspeito.
No local, de acordo com o termo de audiência, foi encontrada a moto que a polícia apurou ter sido usada no crime.
Os policiais também localizaram porções de maconha, cocaína e uma droga psicotrópica (MDMA) no imóvel, além de balança e embalagens. A suspeita é de que o homem faz separação das substâncias para o tráfico.
Após, Jander foi encontrado no trabalho, em um mercado. A PM comunicou sobre a prisão do suspeito por volta das 15h40 do mesmo dia.
À polícia, o homem negou ter atirado em William e disse que não estava na farmácia no momento do crime.
A polícia apurou que Jander combinou com o patrão, três dias antes da morte, que na quinta-feira, data da ocorrência, sairia do trabalho às 11h porque precisava levar os filhos ao médico. Em depoimento ao delegado, entretanto, o suspeito disse que estava em casa almoçando naquele horário.
Um boné, reconhecido como sendo de Jander, foi colhido na cena do homicídio. Ele se recusou a fornecer material genético para ser comparado aos fios de cabelo encontrados no acessório.
No julgamento, Jander confessou que atirou uma vez e o tiro atingiu a cabeça do jovem.
A advogada Indyanara Pini, que representa Jander, informou que apresentou recurso sobre a decisão do júri. Leia a nota na íntegra:
“Ontem, durante o julgamento pelo plenário do júri a defesa do Jander buscou o afastamento das qualificadoras do crime, motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima.
Apesar das provas de que o crime foi passional, as qualificadoras foram mantidas.
A sentença fixou a pena de 16 anos e 6 meses, e, já no ato foi interposto recurso de apelação. As razões do recurso serão apresentadas na próxima semana e, na sequência, o processo seguirá ao TJPR para julgamento.”
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Fonte Original: G1
