Um dos maiores caminhos de peregrinação religiosa do mundo começa em São José do Rio Preto. Com quase 900 quilômetros, o ramal do Caminho da Fé leva milhares de peregrinos até a Basílica de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida (SP).
“O trajeto é todo sinalizado. São 894 quilômetros, com marcações a cada dois quilômetros e setas amarelas indicando o percurso. Já tivemos mais de 800 peregrinos, de quatro nacionalidades diferentes e de todos os estados do Brasil. Alguns já foram e voltaram a pé”, explica Fábio Gimenez, idealizador do ramal.
A credencial é entregue na Basílica Menor de Rio Preto por Valdecil Teixeira de Souza, que trabalha no local há 21 anos. “O peregrino recolhe carimbos ao longo do caminho. No fim, em Aparecida, recebe um certificado como prova da jornada”, detalha.
Entre os devotos estão Euclides Henrique, da capital, e Antônio, de Itápolis. “Não faço para pagar promessa, faço para agradecer a Deus pela família, pela saúde e pelos amigos. Vamos continuar enquanto tivermos forças”, diz Euclides.
A fé também se manifesta no percurso de 20 quilômetros entre Rio Preto e o Santuário de Bom Jesus dos Castores, em Onda Verde. Muitos caminham para pedir graças, outros para agradecer.
“Eu tinha reumatismo no sangue e um desvio de canal. Os médicos não acreditavam na cura, mas graças a Deus estou aqui hoje”, conta o açougueiro Edmilson Marcelo Machado.
Tradicionalmente, a caminhada é feita à noite pela BR-153. A Polícia Rodoviária Federal reforça o policiamento para garantir a segurança dos fiéis. O trajeto termina na festa de Bom Jesus dos Castores, que reúne cerca de 70 mil pessoas todos os anos.
“São cinco horas de caminhada, rezando e concentrando. Já recebi várias graças aqui. É maravilhoso”, afirma o comerciante Antonio Rui Cespedes, que vem de Campo Grande todos os anos.
A festa completa 117 anos em 2026. A tradição começou no século 19, quando o proprietário das terras, Tomé Corrêa de Paiva, teria visto uma luz ao redor da imagem de Cristo e decidiu doar o terreno para a construção de uma capela.
“Este é um santuário dedicado ao próprio Jesus, representado como o Cristo sofredor. O povo se identifica com o sofrimento de Cristo e muitos vão embora daqui com milagres”, explica o padre José Eduardo Andreazzi Vitoreti, reitor do santuário.
Em Pirapora do Bom Jesus, na região de Sorocaba, a tradição centenária das peregrinações também mantém viva a fé dos devotos.
Em Pedrinhas Paulista, perto de Assis, a fé se mistura com a cultura italiana. A cidade, com pouco menos de 3 mil habitantes, celebra São Donato, padroeiro trazido pelos imigrantes.
Todo dia 7 de agosto, a festa reúne milhares de pessoas. Há 30 anos, a macarronada de São Donato virou tradição. A italiana Antonieta Martino Vallone, de quase 90 anos, comanda as panelas. “Eu dou minha vida por isso. É amor e carinho”, diz.
Os números impressionam: mais de 1,2 mil quilos de batata, 1,5 mil quilos de frango e 1 mil quilos de tomate, além da polenta. Cerca de 4 mil pessoas participam da festa.
“A pessoa vem, participa da festividade, conhece os atrativos turísticos e leva essa cultura para sua cidade”, afirma o secretário de Cultura de Pedrinhas Paulista, Hugo Rocha.
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Fonte Original: G1
