Harry Styles andava sumido, mas está de volta. Ele lança o álbum “Kiss All The Time. Disco, Occasionally” nesta sexta (6) e dá para dizer que o disco é experimental — para os padrões dele, pelo menos.
O ex-One Direction não lançava álbuns solo desde “Harry’s House”, de 2022. Aquela foi uma fase frutífera para ele, mas também um tanto polêmica.
Foi a época do controverso “Não Se Preocupe, Querida”, em que o bafafá dos bastidores foi mais assunto que o próprio filme. Também foi quando ele levou o Grammy de Álbum do Ano, superando o aclamado “Renaissance”, de Beyoncé. E ainda que isso não seja culpa dele necessariamente, o discurso que o cantor fez não ajudou.
Em suma, o clima não estava bom para seguir na ativa. Então, Harry fez uma coisa que todo artista grande devia fazer: deu um respiro na imagem e foi viver a vida.
“Kiss All The Time. Disco, Occasionally” é inspirado por esse tempo em que ele foi mais gente como a gente (ou o mais próximo disso, já que ainda era um ricaço na Europa). Ele foi avistado fazendo maratonas, passeando pelas ruas de Roma e até acompanhando o anúncio do novo Papa em 2025.
Além disso, Harry diz que andou indo muito em shows e baladas, vendo tudo de um lugar que ele nunca esteve: do meio da multidão.
Isso se reflete na produção e na mixagem de “Kissco” (apelido que o álbum ganhou dos fãs porque, convenhamos, que título enorme). Nesse disco, a voz de Harry aparece quase sempre processada, mergulhada em efeitos e dobras, e raramente é a protagonista das músicas. É como se ele estivesse com você no meio da galera, cantando enquanto uma batida eletrônica ecoa no fundo.
Apesar de ter “disco” no nome, o álbum não segue a modinha disco pop que cansamos de ouvir nos últimos anos. Ele resvala em influências da música disco oitentona, sim, mas as faixas são menos redondinhas que se esperaria.
O conjunto está mais para um dance pop indie, na linha de Metronomy e Bloc Party, digno do line-up do Lollapalooza nos anos 2010.
Em faixas como “Aperture” e “Are You Listening Yet”, não restam dúvidas que Harry andou ouvindo LCD Soundsystem.
Um destaque é “Season 2 Weight Loss”, uma faixa com beat meio desencaixado, em que ele canta quase como se estivesse falando. Essa é a mais “estranha” do disco e, por isso, uma das mais interessantes.
De modo geral, Harry abandona aquela estrutura típica de canção pop com refrão chiclete. Muitas músicas crescem e se revelam aos poucos, com loops, sintetizadores e trechos instrumentais dançantes.
No meio dos sons eletrônicos, ainda estão os instrumentos orgânicos — dos quais Styles nunca abriu mão — como piano, coros, cordas e uma bateria caprichada.
E linhas de baixo, destaque na funky “Dance No More”. É a música com mais potencial de hit, que bebe da água do lado mais mainstream do Prince. Sem tanto molho, claro, mas não deixa de ser uma ótima música pop.
O que impede esse álbum de ser tudo o que promete são as baladas, especialmente a penúltima faixa, “Paint by Numbers”. É uma música ancorada no violão, até bonita, mas que entra quase repentinamente em um momento-chave do disco. Quebra o clima que vinha sendo construído.
Parece que ele ficou com medo de arriscar demais, o que é uma pena. Se Harry tivesse mergulhado de vez na pista, fosse para curtir ou para chorar, esse seria um excelente álbum.
E sempre é animador ver um artista desse porte tentar novos caminhos, sem medo de desagradar os fãs das antigas. No fim das contas, é isso que separa os hitmakers de hoje dos popstars que seguem relevantes ao longo do tempo.
Fonte Original: G1
