A história de Anita Harley tinha tudo para ser apenas mais um caso de disputa familiar em torno de uma herança bilionária, mas rapidamente se revela muito mais complexa, cheia de camadas afetivas, segredos e versões que se chocam.
O documentário “O Testamento: O Segredo de Anita Harley”, com cinco episódios disponíveis no Globoplay, aprofunda essas contradições.
Com direção de Camila Appel, codireção de Dudu Levy e direção artística de Monica Almeida, a série aposta em uma abordagem que vai além do embate jurídico. Ela destaca as motivações e fragilidades dos personagens, recorrendo ainda a algumas encenações com atores para complementar a narrativa.
Abaixo, o g1 explica por que o documentário vem chamando tanta atenção:
A história de Anita Harley talvez continuasse restrita aos bastidores jurídicos se Camila Appel, diretora do documentário, não tivesse se intrigado ao perceber que, no mesmo hospital onde seu pai estava internado, havia uma paciente com seguranças na porta do quarto. A pergunta inicial “Quem é essa mulher?” acabou abrindo caminho para toda a investigação.
Em 2016, Anita Harley sofreu um acidente vascular cerebral e entrou em coma. Esse momento se torna o estopim para uma disputa feroz sobre quem ficaria responsável por sua curatela.
O documentário mostra que a disputa pelo comando das Casas Pernambucanas não começou com Anita, ela atravessa gerações. Após a morte de Erenita Helena Groschke Lundgren, mãe de Anita, a empresária assumiu a presidência da companhia, desencadeando uma briga que se estende por décadas e envolve até os sobrinhos.
O documentário também expõe um ponto central das divergências em torno da vida pessoal de Anita Harley: afinal, quem era sua verdadeira companheira? A produção mostra duas personagens que assumem terem tido uma relação estável com a empresária. De um lado Sônia Soares, conhecida como Suzuki, identificada por muitos como “dama de companhia” de Anita, tenta convencer a todos que ela não era apenas uma funcionária. Do outro, Cristine Rodrigues, secretária de confiança, reivindica na Justiça o reconhecimento como companheira legítima.
No meio da disputa, surge mais um nome: Arthur Miceli, filho de Suzuki. Ele conseguiu o reconhecimento da maternidade socioafetiva, mas sua chegada causa indignação em parte da família, que nunca o reconheceu como herdeiro de Anita.
Juliana Lundgren e Andrea Lundgren assumem o papel de alívio cômico do documentário. As primas de Anita entregam as reações mais espontâneas e comentários sem qualquer filtro sobre os personagens envolvidos na disputa. Não à toa, nas redes sociais, a frase “Tia Helena odiava Suzuki” virou meme, sempre acompanhada de elogios ao carisma e à sinceridade das duas.
Cinco episódios, inúmeras reviravoltas. O documentário faz o espectador mudar de opinião o tempo todo: quando você acha que finalmente entendeu a dinâmica da disputa ou acredita no depoimento de alguém, surge um novo elemento e a história fica ainda mais complexa.
Quem já assistiu aos cinco episódios fica com a sensação de que ainda há muito para ser contado. Como a disputa judicial segue em andamento, a narrativa permanece aberta, dando ao público a impressão de acompanhar uma história que continua sendo escrita.
Fonte Original: G1
