O Parque Nacional do Iguaçu, onde estão localizadas as Cataratas do Iguaçu, no oeste do Paraná, registrou, em 2025, dez filhotes de onça-pintada, o maior número identificado em monitoramento da espécie dentro da unidade de conservação.
O levantamento, realizado pelo Projeto Onças do Iguaçu, também registrou a presença de 42 onças-pintadas na região, entre adultos e filhotes.
Apesar do recorde de nascimentos, a pesquisadora Vânia Foster, alerta que nem todos os filhotes devem chegar à fase adulta. A sobrevivência depende de fatores como disponibilidade de presas, disputas por território, doenças e impactos provocados por atividades humanas.
Segundo ela, ainda faltam estudos específicos sobre a porcentagem de filhotes que morrem, mas sabe-se que a sobrevivência da população como um todo depende justamente de quantos filhotes conseguem superar esses desafios e entrar na população adulta.
“O dado de mortalidade de filhotes existe para os leopardos na India, onde um estudo estimou que cerca de 4 em cada 10 filhotes não chegam à independência aos dois anos de idade, o que ilustra como os primeiros anos de vida de grandes felinos são frágeis”, afirmou a Foster.
Os dados fazem parte de um relatório anual feito com armadilhas fotográficas instaladas no parque, que registraram 646 aparições independentes de onças-pintadas ao longo do ano de 2025. Entre os animais identificados estão 32 adultos, sendo 14 fêmeas e 17 machos, e os dez filhotes.
Para os pesquisadores, o número de nascimentos indica que a população da espécie segue se reproduzindo dentro do parque, considerado um dos principais refúgios da onça-pintada na Mata Atlântica.
Em 2026, os pesquisadores do projeto estão realizando o censo populacionarl de grandes felinos – onça-pintada e jaguatirica – na região, que é feito a cada dois anos.
A pesquisa motivou restrições temporárias em algumas trilhas do Parque Nacional do Iguaçu. De acordo com a direção da unidade, as limitações na circulação de visitantes vão até o dia 22 e fazem parte de atividades de pesquisa e conservação.
No Polo Cataratas, em Foz do Iguaçu, a Trilha da Canafístula ficará fechada temporariamente, enquanto um trecho do Caminho do Poço Preto terá restrição parcial.
Segundo a administração do parque, não haverá impacto nas áreas mais visitadas, como a Trilha das Cataratas, mirantes e passarelas.
Em São Miguel do Iguaçu, as restrições atingem o Polo Silva Jardim, onde equipes realizam atividades de monitoramento da fauna.
As visitas turísticas à Trilha das Cataratas e às demais trilhas continuam funcionando normalmente, nos horários habituais.
Entre 2024 e 2025, o projeto registrou mais onças-pintadas nas câmeras. O número passou de 41, em 2024, para 42 indivíduos, em 2025, com aumento no número de filhotes registrados.
No entanto, essa diferença não registra aumento no número dos animais, segundo a pesquisadora Vânia Foster, apenas censos periódicos podem realizar esse registro.
As imagens captadas pelas câmeras do projeto também ajudaram a identificar padrões de comportamento dos felinos.
Segundo o relatório divulgado pelo projeto, a onça-pintada apresenta pico de atividade durante a noite, principalmente por volta das 21h.
Os dados mostram ainda uma divisão de horários entre predadores. Enquanto a onça-pintada é mais ativa à noite, a onça-parda costuma se movimentar mais no início da manhã e no começo da noite, o que reduz a competição direta entre as espécies.
A onça-pintada (Panthera onca) é o maior felino das Américas e está criticamente ameaçada de extinção na Mata Atlântica. De acordo com o Painel de Especialistas em Conservação da Natureza, restam menos de 300 indivíduos no Brasil.
No Parque Nacional do Iguaçu, vivem cerca de 25 onças, segundo o Projeto Onças do Iguaçu.
Segundo os pesquisadores, o nascimento de novos filhotes é considerado um indicativo importante de recuperação da espécie no local, onde a população já esteve próxima do colapso.
Porém, mesmo com o aumento no número de nascimentos, pesquisadores apontam que a população ainda enfrenta desafios.
Entre as ameaças estão perda de presas em áreas fora do parque, doenças transmitidas por animais domésticos e riscos em rodovias próximas, que podem provocar atropelamentos de animais silvestres.
O acompanhamento contínuo da população, segundo os pesquisadores, é importante para avaliar o crescimento da espécie e orientar estratégias de conservação da onça-pintada na região da tríplice fronteira.
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Fonte Original: G1
