Kleber Mendonça Filho desembarca no Oscar deste domingo (15) com o peso de uma filmografia premiada. Desde 2012, o cineasta lançou cinco longas-metragens e somou mais de 150 vitórias em premiações pelo mundo.
O levantamento cruzou os dados de três dos principais agregadores de crítica da internet: Letterboxd, IMDb e Rotten Tomatoes.
Para medir o impacto dessa trajetória, o g1 mergulhou na obra do diretor e montou um ranking da sua obra.
Além dos dados globais, o portal também atribuiu uma nota de 0 a 10 para cada produção.
Muito antes de cair nas graças de Hollywood, Kleber lapidou seu olhar em curtas-metragens fundamentais, como “Vinil Verde” (2004) e “Recife Frio” (2009). As produções seguem repercutindo até os dias de hoje.
Mas g1 levou em consideração apenas os longas-metragens.
Veja lista em ordem cronológica do lançamento.
Para tentar dar conta de vozes tão distintas (críticos, cinéfilos, fãs e haters), o g1 converteu todas as métricas para uma escala de 0 a 10.
O cálculo equilibra o índice de aprovação da crítica especializada (Rotten Tomatoes), a média aritmética do público (IMDb) e o engajamento da comunidade cinéfila (Letterboxd), além da nota atribuída pelo portal.
Sinopse: Moradores de classe média são atormentados por trombadinhas, roubos de som de carro e um cachorro que não para de latir. Tudo muda quando uma empresa de segurança privada, chefiada por Clodoaldo (Irandhir Santos), passa a policiar a região.
Minicrítica: O filme vale muito pelas cenas da reunião de condomínio, do “banho de sangue” na cachoeira e da revelação nos minutos finais. Embora os diálogos sejam propositalmente banais, não cativam tanto.
A direção/o roteiro: Em seu longa de estreia, KMF faz do bairro onde cresceu, Setúbal, no Recife, um microcosmos do Brasil pós-ascensão da classe média. Mesmo em uma crônica urbana polida, o diretor já dava indícios do desejo de se experimentar num cinema mais sujo e chocante.
Os feitos
Sinopse: Aposentada, viúva e livre, Clara (Sônia Braga) não quer arredar o pé do apartamento onde morou a vida inteira. Diego (Humberto Carrão) e o avô trabalham numa dessas construtoras-incorporadoras de nome em inglês e fazem de tudo para tentar convencê-la do contrário.
Minicrítica: Trilha sonora e direção de arte lindíssimas. Passaria horas e horas assistindo Sônia Braga dançar em gafieiras e peitar dono de construtora miserável. Mas poderia chocar ainda mais.
A direção/o roteiro: Kleber acerta em construir um vilão que foge do caricato: um herdeiro de sorriso amarelo que é a personificação do neoliberalismo cordial. Os zooms lentos e planos abertos brilham.
Os feitos
Sinopse: Pesquisa para “O Agente Secreto”, o documentário remonta a cidade do Recife do século XX com a presença dos cinemas de rua e de calçada que, segundo o diretor, “são tão importantes para a formação de público espectador”.
Minicrítica: Quando a arte se dispõe a virar um documento de registro. É um daqueles filmes que vão ficando mais importantes à medida que o tempo vai passando.
A direção/o roteiro: A narração em primeira pessoa de Kleber guia e se destaca. Um salve para a equipe de pesquisa e montagem.
Os feitos
Sinopse: Após descobrir que o povoado foi apagado dos mapas e está sendo atacado por um bando de gringos pistoleiros, uma comunidade no interior de Pernambuco decide reagir. A entrada de Lunga (Silvério Pereira) em cena com uma enxada e um mullet muda tudo.
Minicrítica: Violento e lindo. Bacurau é bicho grande, brabo e que não está em extinção. Ótimo para rever em ano de eleição e sempre.
A direção/o roteiro: Em parceria com Juliano Dornelles, Kleber cavuca a identidade do nordestino do interior. Tem drone, psicotrópico e puteiro. Nesta distopia sertaneja de gente do bem que reage, todos os personagens são interessantíssimos.
Os feitos
Sinopse: Professor universitário, Marcelo (Wagner Moura) busca refúgio em um condomínio de exilados durante a Ditadura Militar. Apesar disso, é Carnaval. Agonia e folia se misturam neste thriller político de suspense e humor.
Minicrítica: Tem muita gente e é muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, o que poderia ser ruim, mas aqui não é. Quando Tânia Maria sai de cena, dá saudades. Mas ela é só uma das (muitas) partes boas.
A direção/o roteiro: Busca por memória, rinha entre regiões, corrupção, o papel da imprensa, luta de classes, força da juventude… Pior que é aquele clichezão: a impressão que dá é a de que todos os filmes de Kleber o levaram até esse aqui.
Fonte Original: G1
