Motoristas do Paraná têm encontrado uma grande variação no preço da gasolina comum nos postos de combustíveis em meio à instabilidade no mercado por conta da guerra no Oriente Médio. O aumento súbito, entretanto, tem gerado questionamentos, uma vez que não houve anúncio de aumento de preço nas refinarias pela Petrobras.
Um levantamento realizado pelo g1 no aplicativo Menor Preço, do Governo do Paraná, mostra que, na manhã deste sábado (14), havia postos do estado cobrando até R$ 8,99 por litro. O menor valor encontrado no mesmo filtro foi de R$ 5,16. Veja lista abaixo.
O levantamento considerou os preços praticados em Curitiba, Ponta Grossa, Guarapuava, Londrina, Maringá, Paranavaí, Cascavel, Foz do Iguaçu e Paranaguá, no litoral.
Na lista, o valor mais alto estava em Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná. Em oito dos nove municípios analisados, havia gasolina comum sendo vendida a mais de R$ 8.
As informações do aplicativo são atualizadas em tempo real toda vez que um estabelecimento realiza uma venda, com base nas emissões de nota fiscal.
Veja os valores registrados nas maiores cidades do Paraná, segundo o Menor Preço:
Dados divulgados na tarde de sexta-feira (13) pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que o preço médio da gasolina no Paraná também teve alta, com revenda acima de R$ 6 por litro.
Das nove cidades analisadas, cinco tiveram aumento no preço médio nas duas últimas semanas: Cascavel, Foz do Iguaçu, Guarapuava, Maringá e Paranaguá. O maior aumento foi em Guarapuava, de R$ 0,31.
No mesmo período, duas cidades registraram queda: Londrina e Ponta Grossa. Curitiba não teve variação.
O conflito no Oriente Médio começou após ataques de Estados Unidos e Israel contra alvos estratégicos no Irã, com o objetivo de enfraquecer o programa nuclear do país. A ofensiva provocou a morte de lideranças do regime iraniano e desencadeou retaliações com mísseis contra bases e aliados americanos na região.
A escalada militar aumentou a tensão no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quarto do petróleo comercializado no mundo, o que elevou o risco de interrupção no transporte da commodity.
Com isso, o preço do petróleo subiu no mercado internacional e o dólar se valorizou. Esses fatores impactam o valor dos combustíveis no Brasil, já que gasolina e diesel são derivados do petróleo e os preços acompanham as variações do mercado global.
Na quinta-feira (12), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ministros do governo anunciaram um pacote de medidas para conter o impacto da guerra no preço do diesel e, consequentemente, na inflação de produtos que dependem do combustível para chegar aos consumidores.
As medidas assinadas por Lula foram:
O pacote de ações entrou em vigor com a publicação dos textos no “Diário Oficial da União”. Com as medidas, o governo espera gerar um alívio de R$ 0,64 por litro de diesel nas bombas.
O Paranapetro, sindicato que representa os proprietários de postos de combustíveis do Paraná, afirmou que a redução dos impostos federais PIS e Cofins é positiva, mas destacou que o repasse da queda de preços depende das distribuidoras.
Segundo a entidade, no caso da gasolina e do diesel, os tributos são pagos pelas distribuidoras no momento da compra nas refinarias ou importadoras, dentro do regime de substituição tributária. Por isso, para que a redução chegue ao consumidor final, é necessário que as distribuidoras repassem primeiro a diminuição de custos aos postos.
“Espera-se das distribuidoras a mesma agilidade adotada nos seguidos aumentos de preços aos postos, que seguem sendo praticados desde o início da guerra no Oriente Médio”, diz a nota.
Fonte Original: G1
