Um homem vandalizou a frente de um terreiro de umbanda no Conjunto Habitacional “Ana Jacinta”, em Presidente Prudente (SP). Câmeras de segurança registraram o crime. Assista acima.
Nas imagens, um homem sem camisa aparece com um pedaço de madeira golpeando o portão da casa de forma agressiva, enquanto xinga os moradores, chamando-os de “demônios” e “satanás”.
Segundo o boletim de ocorrência, registrado na segunda-feira (16), o homem teria invadido o local durante a madrugada, por volta das 5h, sendo retirado pelos responsáveis, que também moram na residência.
No entanto, ele teria retornado horas depois com um pedaço de madeira, momento que foi registrado pelas imagens. Posteriormente, os moradores notaram tijolos quebrados em frente à casa.
Ao g1, o responsável pela casa de tradição iorubá, de matriz africana, Wellington Santos, de 35 anos, manifestou preocupação com a situação.
Segundo o bàbáláwo Wellington, ele e o esposo moram há nove anos no endereço e nunca havia ocorrido algo semelhante no local. O suspeito seria morador do mesmo bairro. “Devido a esse ocorrido, não vamos parar com as atividades, mas estamos com medo”, continuou.
A área vandalizada pelo homem é conhecida como entrada do “lle”, que, segundo o pai de santo, é o espaço sagrado e morada das divindades. “A nossa casa segue com este nome: Ile Egbe Orúnmila ifa”.
Já Orúnmila é a divindade da sabedoria e do destino na cultura iorubá. Desde pequeno, Wellington demonstra interesse por religiosidade e é praticante de religião de matriz africana há mais de 20 anos.
O caso foi registrado na Delegacia de Polícia Civil de Presidente Prudente como dano, ameaça, preconceito de raça ou cor, discriminação religiosa, injúria e violação de domicílio, e segue em investigação. Até a última atualização desta reportagem, ninguém havia sido preso.
Dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania apontam que a intolerância religiosa é uma violação recorrente no Brasil. Entre janeiro de 2025 e 2026, o Disque 100 registrou 2.774 denúncias, com impacto desproporcional sobre religiões de matriz africana.
As violações foram motivadas por intolerância religiosa, o que reforça a necessidade de ações contínuas de prevenção, proteção e promoção da liberdade religiosa, segundo o ministério.
A intolerância religiosa é crime, equiparada ao crime de racismo pela Lei nº 7.716/1989, com pena de dois a cinco anos para quem obstar, impedir ou empregar violência contra quaisquer manifestações ou práticas religiosas.
Além disso, a pena será aumentada à metade se o crime for cometido por duas ou mais pessoas, além do pagamento de multa.
O ato de vandalismo também é considerado crime, tipificado como “dano”, no artigo 163 do Código Penal, que prevê detenção de um a seis meses ou multa, podendo ser aumentada para seis meses a três anos e multa, além da pena correspondente à violência, caso o crime seja cometido com violência à pessoa ou grave ameaça.
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Fonte Original: G1
