O Dia Mundial Sem Carne, celebrado anualmente nesta sexta-feira (20), surgiu nos Estados Unidos e ganhou adesão em diversos países como uma proposta de reduzir o consumo de carne, ao menos por um dia.
O debate vai além da alimentação, envolvendo a adoção de hábitos mais saudáveis e sustentáveis. Em Presidente Prudente (SP), por exemplo, a região concentra o maior rebanho bovino do estado de São Paulo; em contrapartida, restaurantes se adaptam ao vegetarianismo.
Proprietário de uma loja especializada em produtos naturais, que comercializa itens orgânicos, veganos, suplementos e opções voltadas à alimentação saudável, João Bittencourt Ravazzi Jr., de 36 anos, relembra como começou no mundo “veggie”, há 20 anos.
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Foi a partir da sugestão de amigos que João abriu o próprio negócio, em 2016, começando com a venda de sucos e, posteriormente, expandindo o cardápio. Hoje, ele oferece pratos que fazem releituras de receitas tradicionais, como feijoada e estrogonofe.
O oeste paulista é tradicionalmente agro e o consumo de carne é bastante presente. Por este motivo, o empresário descreve que houve certa resistência por parte do público: “Acontece de pessoas entrarem, virem que o cardápio é totalmente vegetariano e irem embora sem experimentar”.
Por outro lado, João destaca que também existe uma curiosidade crescente: “Quem prova geralmente se surpreende. O processo foi e ainda é de construção, de apresentar uma nova possibilidade para as pessoas”.
Diretor de compras de um restaurante no Centro, Paulo Roberto Libório Meirelles, de 52 anos, afirma que o espaço aberto há mais de 25 anos traz diferentes tipos de prato no cardápio. As opções “veggies” passaram a ser oferecidas há oito meses.
“Há aceitação [do público], mas dificilmente um não vegano pede esse tipo de prato. Na hora da escolha, ele acaba sempre pedindo o que está acostumado a saborear”, reforça.
A ideia de acrescentar as opções sem carne ocorreu após o pedido do público específico. “Em muitos casos, eles pedem o mesmo prato do cardápio, apenas sem a proteína [carne ou peixe]”, afirma Paulo, no caso dos clientes vegetarianos.
O local também oferece serviços para festas, como aniversários e casamentos. Nestes momentos, quando há convidados veganos, geralmente o restaurante consegue atender à demanda, mas não em todos os casos.
Ao g1, a nutricionista e professora no curso de nutrição e gastronomia da Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) Cristina Atsumi Kuba destaca o crescimento de adeptos ao vegetarianismo ou de pessoas que estão reduzindo o consumo de carne, mesmo em cidades do interior.
“Em Presidente Prudente, isso ainda está em crescimento, mas já é possível observar uma maior demanda por opções sem carne. Então, mais do que uma obrigação, a adaptação pode ser vista como uma oportunidade de mercado”, afirma.
Segundo a especialista, mesmo em regiões com forte tradição na pecuária, o aumento do consumo de alimentos de origem vegetal pode incentivar uma diversificação do sistema alimentar, com maior valorização de hortaliças, leguminosas e produção local.
Segundo o Mapa Veg, considerado um censo vegetariano e vegano brasileiro a partir de cadastro online, o estado de São Paulo está na 1ª posição, com 11.250 pessoas adeptas à prática, até quinta-feira (19). Confira o ranking abaixo:
A Sociedade Vegetariana Brasileira descreve o vegetarianismo como uma escolha alimentar que exclui produtos de origem animal. Já o veganismo é um movimento mais amplo, que considera desde alimentação, vestuário, cosmético e afins, eliminando todas as formas de exploração e crueldade contra os animais.
Além disso, há outros subgrupos do vegetarianismo, conforme a Sociedade Vegetariana Brasileira. Confira abaixo:
A nutricionista reforça que o Dia Mundial Sem Carne tem um papel importante, principalmente no sentido de estimular a reflexão.
“Não necessariamente para que todas as pessoas deixem de consumir carne, mas para pensar sobre a qualidade da alimentação, o impacto ambiental e até o consumo excessivo de produtos de origem animal”, pontua.
Esse tipo de campanha pode ajudar a mostrar que é possível diversificar a alimentação e incluir mais alimentos de origem vegetal no dia a dia, segundo a nutricionista.
No entanto, a especialista reforça que é fundamental que essas mudanças sejam feitas com equilíbrio e consciência “para que a exclusão ou redução de determinados alimentos não comprometa a ingestão adequada de nutrientes essenciais”.
Um ponto importante considerado pela especialista é que dietas vegetarianas bem planejadas podem ser adequadas em todas as fases da vida. No entanto, é fundamental a atenção aos nutrientes, como:
“Por isso, o acompanhamento com nutricionista é essencial, principalmente em dietas mais restritivas, como o veganismo”, completa Cristina.
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Fonte Original: G1
