Na manhã do segundo dia de Lollapalooza, em São Paulo, a fila antes da abertura dos portões, que registrou correria às 11h, virou uma extensão do próprio festival. Muito antes do primeiro show, fãs já se reuniam em frente ao Autódromo de Interlagos com maquiagens elaboradas, roupas chamativas e uma estética que misturava pop, teatralidade e referências diretas à cultura drag.
O movimento tinha um nome recorrente entre o público: Chappell Roan, que estreia no Brasil com um show pra lá de aguardado pelos fãs. Ela é uma das maiores revelações do pop dos últimos anos, com um repertório repleto de hits bem “karaokê”. Ela faz uma apresentação teatral com um palco meio medieval, ornamentado, e muito capricho nos looks.
A artista, que se apresenta no line-up deste sábado (21), se tornou um símbolo de identificação para jovens fãs — especialmente mulheres e pessoas LGBTQIA+ — que encontraram em sua obra um caminho de aceitação da própria sexualidade. É a primeira vez dela no Brasil.
A estudante Julia da Rocha, que veio de Curitiba, chegou ainda de madrugada. “Consegui pegar esse lugar às 16h da manhã”, brinca. Ela conta que saiu do festival na noite anterior, dormiu apenas duas horas e voltou direto para a fila já pronta para o segundo dia. O esforço tinha um motivo claro: ver de perto o show de Roan.
“Ela me fez me descobrir como uma pessoa queer. Eu tinha isso muito fechado dentro de mim, e a partir dela isso se explorou”, diz. Julia também destaca o impacto da estética da cantora.
A poucos metros dali, a carioca Marina Serra, de 19 anos, reforça o sentimento. “É muito bom ver uma cantora grande que representa a comunidade lésbica de forma tão aberta. Ela me deixou mais confortável com a minha sexualidade”, afirma.
Para Marina, o diferencial da artista está na autenticidade. “Ela tá revolucionando a área artística sendo extremamente autêntica e sendo uma drag queen mesmo sendo mulher.”
A influência da estética drag — com maquiagens marcadas, brilho, cores vibrantes e figurinos performáticos — era visível em boa parte do público que aguardava a entrada. Para muitos, mais do que um visual, trata-se de um gesto político e de pertencimento.
Os amigos Pedro Aluísio, 19, e Karol Pelágio, 18, também viajaram para o festival motivados pela artista. “Ela é uma artista que investe nas causas que acredita e deixa isso muito claro”, diz Pedro.
Karol completa: “É importante ter uma artista abertamente lésbica que luta por esses movimentos”.
Além da identificação estética e pessoal, fãs também citam o posicionamento político de Chappell Roan como um fator de admiração. A cantora é conhecida por discursos em defesa da comunidade LGBTQIA+ e por apoiar iniciativas voltadas à população queer nos lugares por onde passa.
Skrillex também é um dos principais nomes do dia e encerra a programação do palco Samsung. Ele veio ao Lolla também em 2023 e costuma animar fãs com um set “frito”, agitado, com seu estilo dubstep.
Além deles, o escocês Lewis Capaldi vai passar pelo palco principal com seu repertório pop soul. Não vai faltar cantoria em “Someone You Loved”, um dos maiores sucessos radiofônicos dos últimos anos.
O icônico grupo de rap Cypress Hill também está entre as atrações. O dia tem a estreia do k-pop no Lolla com o grupo Riize, além do duo alemão de techno Brutalismus 3000 no palco de música eletrônica.
PALCO BUDWEISER
PALCO SAMSUNG GALAXY
PALCO FLYING FISH
PALCO PERRY’S
Fonte Original: G1
