O INFERNO DOS TÉCNICOS NO BRASILEIRÃO: Como o VAR e a Pressão Insana Estão DESTRUINDO o Futebol Brasileiro!
O Campeonato Brasileiro, a maior vitrine do futebol nacional, é conhecido por sua paixão fervorosa, talentos inesgotáveis e, infelizmente, por uma característica cada vez mais cruel: a implacável “dança das cadeiras” dos treinadores. O que era um fenômeno sazonal e esporádico, transformou-se em um verdadeiro massacre anual, onde a longevidade no cargo é uma miragem e o VAR, antes visto como salvação, adicionou uma camada extra de caos a um ambiente já insuportável. A combinação explosiva de resultados imediatistas e tecnologia mal utilizada está corroendo a espinha dorsal do nosso futebol, afetando a qualidade do espetáculo, o desenvolvimento de jovens talentos e a própria credibilidade da competição.
A Cultura da Impaciência: O Curto Prazo como Sentença
Dados recentes são alarmantes: a média de permanência de um técnico na Série A do Brasileirão é pífia, muitas vezes não ultrapassando um punhado de rodadas ou, em casos extremos, apenas um ou dois meses. Clubes que foram campeões em um ano são capazes de demitir seus comandantes na temporada seguinte após uma sequência de maus resultados, ignorando todo o trabalho de construção e planejamento. Essa voracidade por resultados imediatos, impulsionada pela pressão da torcida, da diretoria e de parte da mídia, cria um caldeirão onde a paciência é um luxo raríssimo.
Essa cultura do “tudo ou nada” em curto prazo tem consequências devastadoras. O “DNA” de um clube, a identidade tática, a filosofia de jogo – tudo é jogado pela janela a cada troca de comando. Qual o impacto disso nos jovens jogadores, que precisam de estabilidade e orientação consistente para se desenvolver? E no planejamento financeiro, com as pesadas indenizações por rescisão de contratos e as novas contratações de comissões técnicas, muitas vezes caras? A resposta é clara: a instabilidade gera custos altíssimos e impede qualquer projeto de longo prazo.
VAR: O Árbitro de Vídeo, um Vilão Imprevisto?
Quando o VAR (Video Assistant Referee) foi implementado no futebol brasileiro, a promessa era de justiça, transparência e a erradicação de erros capitais que pudessem decidir campeonatos e rebaixamentos. A ideia era nobre: utilizar a tecnologia para tornar o jogo mais justo. No entanto, a realidade do Brasileirão se provou bem diferente. Decisões controversas, critérios aparentemente flutuantes e a lentidão excessiva em checagens que quebram o ritmo do jogo transformaram o que seria uma ferramenta de auxílio em um gerador de revolta e frustração.
A Subjetividade que Enlouquece
Lances de mão na bola, faltas que geram cartões, impedimentos milimétricos, simulações – cada interpretação do VAR parece abrir uma nova frente de discussão e polêmica. A falta de um padrão claro e a subjetividade inerente a muitas das revisões colocam o treinador em uma posição ainda mais frágil. Um gol anulado ou um pênalti assinalado por um toque quase imperceptível pode custar um jogo, um emprego e, por fim, a credibilidade do esporte para a torcida e os próprios jogadores. A sensação de que “o jogo não termina até o VAR dizer” tira a espontaneidade da comemoração de um gol e adiciona uma camada de incerteza e nervosismo a cada minuto da partida.
O VAR não apenas prolonga a duração dos jogos, mas também quebra o ritmo, a emoção e, muitas vezes, irrita profundamente tanto os jogadores em campo quanto os torcedores nas arquibancadas e em casa. A tecnologia, que deveria trazer paz, está paradoxalmente adicionando mais lenha à fogueira da pressão e da desconfiança.
O Círculo Vicioso da Instabilidade e do Prejuízo
A combinação da pressão insana por resultados imediatos e das polêmicas constantes do VAR cria um ciclo vicioso pernicioso que aprisiona os clubes brasileiros. Um técnico assume, tenta implementar sua filosofia de jogo e método de trabalho, mas um resultado negativo – talvez influenciado por uma decisão polêmica do VAR – acende a chama da demissão. O novo técnico chega, o processo recomeça do zero, e o clube patina indefinidamente em busca de uma identidade tática e um planejamento que nunca se estabelecem. A falta de continuidade prejudica a evolução dos jogadores, a formação de um elenco coeso e a própria saúde financeira das instituições.
Os jovens talentos, que seriam o futuro e a principal moeda de exportação do nosso futebol, são expostos a essa gangorra de ideias e metodologias, o que dificulta enormemente seu desenvolvimento pleno. A ausência de um plano de longo prazo mina a capacidade dos clubes brasileiros de competir em igualdade de condições com ligas mais estáveis e organizadas do mundo, que investem em processos e projetos, não apenas em resultados imediatos.
Há Luz no Fim do Túnel? A Busca por Soluções Urgentes
Para reverter esse quadro sombrio, é imperativo que o futebol brasileiro adote uma mudança cultural profunda e urgente. A CBF, os clubes e até mesmo a mídia têm um papel crucial nessa transformação. É preciso valorizar projetos de longo prazo, dar tempo aos treinadores para que seu trabalho floresça e investir massivamente na formação e qualificação de novos profissionais, tanto dentro quanto fora das quatro linhas. Algumas medidas essenciais incluem:
- Paciência Estratégica: Clubes devem aprender a blindar seus treinadores e comissões técnicas, mesmo diante de resultados adversos em curtos períodos, focando na evolução do time e nos objetivos de longo prazo.
- Regulamentação e Transparência do VAR: É fundamental padronizar as revisões, comunicar as decisões de forma clara, rápida e acessível ao público, e treinar exaustivamente os árbitros para reduzir a subjetividade e os erros grosseiros.
- Accountability da Arbitragem: Criar mecanismos mais eficazes para a avaliação e punição de erros grosseiros da arbitragem, incluindo aqueles que operam a cabine do VAR, garantindo maior responsabilidade e credibilidade.
- Investimento em Formação: Fortalecer os cursos de treinadores e árbitros, buscando excelência e atualização constante com o que há de melhor no futebol mundial, preparando profissionais mais qualificados e resilientes.
O futebol brasileiro tem um potencial gigantesco, mas está sendo minado por essa cultura do imediatismo e pela confusão gerada em torno da aplicação do VAR. Se não houver uma guinada estratégica, o espetáculo, os talentos e a própria credibilidade da competição continuarão a sofrer, transformando a paixão nacional em uma fonte inesgotável de frustração e caos. A hora de agir é agora, antes que o inferno dos técnicos se torne o inferno de todos nós.
