O Lollapalooza 2026 receberá uma nova estrela do hip-hop nesta sexta (20). Se tem uma artista com repertório, qualidade e estilo de sobra pra entregar neste festival, é a americana Doechii.
Aos 27 anos, Doechii se estabeleceu como um grande novo nome do estilo. Em 2025, ela levou seu primeiro Grammy para casa com o prêmio de Melhor Álbum de Rap, desbancando nomes como Eminem e J. Cole. A essa altura, já são 8 indicações e 2 vitórias no prêmio. E ela avisa que está só começando.
Jaylah Ji’mya Hickmon é de Tampa, na Flórida, e cresceu fazendo aulas de todo tipo: ballet, sapateado, atuação, animação de torcida e ginástica. Ela também tinha experiência em coros e chegou a cogitar se tornar uma cantora de coral profissional.
Com essa atitude, fez mais sentido produzir suas próprias faixas que participar de um coral. Em 2016, Doechii entrou para o Soundcloud e começou a lançar músicas de forma independente. O primeiro sinal de reconhecimento veio com “Yucky Blucky Fruitcake”, sucesso no TikTok em 2021.
Viralizar foi essencial para que Doechii assinasse contratos importantes. Além de entrar para a Capitol Records, ela foi a primeira rapper feminina a fazer parte da Top Dawg Entertainment — selo que lançou nomes como Kendrick Lamar e SZA ao estrelato (o primeiro saiu em 2022).
Em 2023, ela foi indicada a Artista Revelação e Melhor Artista Revelação de Hip-Hop no BET Awards, e levou o prêmio de Estrela em Ascensão no Billboard Women in Music. Ela abriu shows para Beyoncé naquele ano, e fez parte do disco de Katy Perry no início de 2024. Mas foi só em meados de 2024 que a artista começou a conquistar reconhecimento mundial, depois da mixtape “Alligator Bites Never Heal”.
Lançada em agosto de 2024, “Alligator Bites Never Heal” é considerada uma mixtape de R&B e hip-hop. O formato não tem a pretensão de ser coeso como um álbum de estúdio e é mais uma “compilação de músicas”.
Ainda assim, “Alligator” recebeu três indicações ao Grammy, incluindo melhor álbum de rap — a primeira vez que uma artista feminina foi indicada na categoria com um formato de mixtape.
Curiosamente, o projeto teve média visibilidade quando foi lançado. Mas em outubro de 2024, a carreira de Doechii teve uma nova virada quando ela participou de “Chromakopia”, álbum do já consolidado rapper Tyler, The Creator.
Em seguida, ela teve uma sucessão de apresentações virais: no festival Camp Flog Gnaw (de Tyler), no programa de Stephen Colbert, e principalmente, o seu vídeo no famoso Tiny Desk, para a rádio americana NPR.
Lançado no dia 6 de dezembro de 2024, o último (com quase 24 minutos de duração) passou de 8 milhões de visualizações e foi listado pela rádio como uma das melhores apresentações do ano.
O sucesso da artista com apresentações ao vivo comprova que, apesar dos hits de TikTok, o melhor do trabalho de Doechii está na performance. Foi graças às suas apresentações que ela conquistou seu maior número de fãs — no “quem sabe faz ao vivo”. Não à toa, ela foi elogiada (e aplaudida de pé no Grammy) por Beyoncé, Kendrick Lamar e Billie Eilish.
A artista é moderna, versátil e teatral. Sua experiência multidisciplinar aparece nas performances em diferentes elementos — moda, cabelo e coreografia —, trazendo a parte visual como parte integral da sua identidade artística. Sem dúvidas, Doechii sabe fazer um show.
A personalidade dela também aparece na caneta. A rapper brinca com seus versos em estilo cômico, afiado, sem deixar de falar sobre assuntos pessoais, como problemas de saúde mental e sexualidade (Doechii é assumidamente bissexual). Nas letras, ela atrai fãs de Nicki Minaj e SZA por essa mescla de humor, força e vulnerabilidade.
Essa será a primeira vez de Doechii no Brasil. Ela viria em 2024 para o festival Afropunk Experience em São Paulo, mas desmarcou sem dar explicações. Na época, deu pra entender rapidinho o motivo: foi bem quando a carreira de Doechii deu uma guinada e ela ficou nos EUA para aproveitar as oportunidades que vieram.
Em comparação ao show que teríamos naquele ano, a artista vem com muito mais público, recursos e promete um show especial para compensar o cancelamento.
Fonte Original: G1
