O line-up do Lollapalooza 2026 foi anunciado em agosto de 2025. Entre os artistas nacionais e internacionais aguardados, consta o nome “Foto em Grupo”… uma banda que, até então, ninguém conhecia.
Corta para esta semana, em que o festival acontece no Autódromo de Interlagos. Agora, o Foto em Grupo tem nomes, sobrenomes e álbum próprio. Na verdade, trata-se de Ana Caetano (metade do Anavitória), Pedro Calais (vocalista do Lagum), Zani (guitarrista do Lagum) e João Ferreira (guitarra e vocais na Daparte). Ainda se usa o termo “supergrupo”?
Pra quem já acompanhava os artistas, não é exatamente uma novidade. Eles já tinham colaborado, mas decidiram oficializar ainda mais a relação à moda musical: formando uma banda.
Até aí tudo normal. O diferente mesmo foi anunciar o grupo já no line-up de um grande festival. A ideia dividiu opiniões na internet, mas o grupo não vê problema em ter começado desse jeito.
No álbum homônimo, lançado em dezembro, a banda comprova esse parentesco “consigo mesmos”: há um pouco dos outros projetos deles, mas também há uma leve experimentação.
Eles variam quem comanda os vocais, com letras psicodélicas e arranjos que vão do pop rock viajado (“Toda esfera”) à MPB meio Tribalistas (“Eu te odeio”) e até um reggaezinho (“Fuga da culpa”).
Em entrevista ao g1, os membros do Foto em Grupo falam sobre a relação com esse projeto, com as outras bandas e como será o show do Lollapalooza. Eles se apresentam no sábado (21), às 15h50.
Para os músicos, conhecidos por canções alto-astrais e tranquilas, o Foto em Grupo é uma tentativa de fugir do roteiro de sempre. “A gente tá falando muito de ódio no nosso show. Isso é uma coisa que eu acho que nem Anavitória, nem Lagum, nem Daparte falavam muito sobre”, brinca João.
Ana diz que é um trabalho bem diferente para ela, que costuma subir ao palco descalça, fazer harmonias vocais e cantar letras românticas.
A cantora diz que os outros lados dos integrantes estão aparecendo ao longo dos shows, como Pedro Calais, que está “ficando cada vez mais foda-se” e humorista. João concorda. “O show tem um quê de stand up comedy. Nosso show é engraçado, né? Pelo menos pra mim”.
Não à toa, para Ana, Pedro e João, que costumam assumir os vocais e os holofotes em seus respectivos projetos, sair do centro do palco foi bem-vindo.
Já para Zani é o contrário: pela primeira vez, ele assume o microfone, inclusive na faixa “Eu tenho medo”. “Tenho medo, mas tô perdendo”, brinca.
João diz que o projeto era bem mais informal, mas a dinâmica mudou desde que o negócio ficou “sério”.
“Era uma grande brincadeira. Mas é natural que, à medida que a gente vai envolvendo outras pessoas, outros profissionais e aí você vai criando responsabilidade com outras relações que você vai tendo ali, vire um trabalho mesmo, uma empresa”.
Para membros de bandas consolidadas, pode ser desafiador ou até estranho tentar um novo projeto. Foto em Grupo não tem o mesmo número de ouvintes e pode não ter o mesmo público no Lolla que o Lagum ou a Anavitória tiveram. Eles não se frustram com isso.
“Não é nem um pouco frustrante, não é um risco que a gente tá correndo. A gente tá iniciando um projeto. Vai ser menor do que seria se fosse Anavtória, Lagum ou Daparte, mas a gente tá curtindo viver esse momento de novo”.
É bem atípico aparecer em um line-up desse porte antes da banda sequer ser conhecida. Mas para João, a ideia não é tão diferente de “Fulano encontra Ciclano” ou “Beltrano canta tal repertório”, formato comum em festivais.
Ana diz que “rolou uma caminhada” e o Foto em Grupo não surgiu “do nada” no festival: tocar no Lollapalooza era um dos seus sonhos profissionais, que ela realizou com o Anavitória só em 2023. O Lagum também passou pelo festival em 2022.
Ela diz que não viu muitas críticas nesse sentido. Já Calais acrescenta que viu vídeos acusando o grupo de ter um certo privilégio.
Apesar desse bafafá, o Foto em Grupo não deixou a estreia nos palcos para o Lolla. A banda vem de uma mini turnê, passando por Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Juiz de Fora, Fortaleza e mais, justamente para garantir um entrosamento no festival.
Na entrevista feita nesta terça (17), os músicos ainda não tinham definido repertório, mas garantiram que os shows anteriores já foram um trabalho de construção do Lolla.
Considerando os shows anteriores, eles podem acabar incluindo músicas dos outros projetos, incluindo parcerias prévias entre Anavitória, Lagum e João. E deram um spoiler: “Vai ter um percussionista a mais. Essa é a arma secreta aí que vai chegar”.
Fonte Original: G1
