Cerca de 60% dos cigarros consumidos no Paraná são ilegais, mais que o dobro da média nacional, de 31%. Os dados são do Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP) e representam o maior índice no estado desde 2021.
Segundo a Receita Federal do Brasil, em 2024 foram apreendidos mais de 70 milhões de maços de cigarros contrabandeados, avaliados em R$ 385 milhões. Naquele ano, o Paraná concentrou 47% de todas as apreensões do país.
Em 2025, o volume caiu para R$ 334 milhões. Até março deste ano, foram apreendidos cerca de R$ 50 milhões e pouco mais de 7 milhões de maços, o equivalente a 41% do total nacional.
De acordo com a Receita, a região de Foz do Iguaçu, no oeste do estado, é uma das principais portas de entrada do contrabando do cigarro.
O presidente do FNCP, Edson Vismona, diz que a posição geográfica favorece o crime.
Atualmente, cerca de 85% dos cigarros ilegais entram no país pelas fronteiras do Paraná e do Mato Grosso do Sul. A maior parte vem do Paraguai e é distribuída para todo o Brasil.
O FNCP estima que o mercado ilegal movimentou R$ 1,8 bilhão no Paraná em 2025. Só em perdas de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), o prejuízo chega a R$ 660 milhões.
A diferença de impostos entre os países é um dos principais fatores que, segundo os pesquisadores, incentiva o mercado ilegal.
No Brasil, a carga tributária sobre o cigarro varia entre 70% e 90%. No Paraguai, a média é de 13%. Isso faz com que o produto ilegal chegue ao consumidor até 40% mais barato.
Segundo Vismona, os produtos ilegais são facilmente encontrados em comercios brasileiros, como barraquinhas nas ruas, bares e padarias.
“Geralmente está escondido, mas quando o cliente pede nas bancas de jornal, de forma mais discreta, é oferecido porque é mais barato e não paga imposto”, conta Edson.
Além do contrabando, as autoridades também apontam o crescimento de fábricas clandestinas no Brasil, que produzem cigarros sem controle sanitário e sem pagamento de tributos.
Segundo ele, a vantagem dessa fábrica clandestina é que ela está instalada dentro do território brasileiro, próximo dos centros de consumo e também não paga nada de impostos, por isso atrai o consumidor que procura um preço mais baixo.
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Fonte Original: G1
