Após 30 anos, o maior e mais antigo conflito fundiário do Paraná foi encerrado com um acordo entre o Governo Federal e as empresas Rio das Cobras Ltda. e Araupel S.A. A conciliação vai beneficiar mais de três mil famílias de agricultores em Quedas do Iguaçu e Rio Bonito do Iguaçu, no oeste do estado, segundo a Advocacia-Geral da União (AGU).
Com a conciliação, mais de 33 mil hectares ficarão disponíveis para a instalação de novas famílias.
Em contrapartida, o grupo empresarial receberá R$ 584 milhões em indenização, por meio de precatórios federais, pelas terras da Gleba Pinhal Ralo adquiridas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). As empresas vão manter a posse de 680 hectares, destinados a atividades industriais e ao desenvolvimento regional.
Jonas Fures é morador do acampamento Dom Tomás Balduíno, formado em 2015 em Quedas do Iguaçu dentro do território que faz parte do acordo. Ele define o dia como um momento de muita emoção.
Entre as milhares de famílias que ocuparam a área e formaram a comunidade Herdeiros da Terra de 1º de Maio, há 11 anos, em Rio Bonito do Iguaçu e Nova Laranjeiras, está a de Sandra Padilha Alves.
O conflito agrário envolvendo terras da madeireira Giacomet-Marodin, hoje chamada de Araupel, começou no dia 17 de abril de 1996, em Rio Bonito do Iguaçu. Durante a madrugada, mais de 12 mil homens, mulheres e crianças ocuparam parte da área da madeireira.
A quebra do cadeado da porteira de uma das maiores fazendas do Sul do Brasil ficou imortalizada pelo fotógrafo Sebastião Salgado, com uma imagem que ele batizou como “A luta pela terra: a marcha de uma coluna humana”.
Desde então, o território era considerado uma das maiores áreas contínuas de reforma agrária da América Latina.
Além de Rio Bonito do Iguaçu, a área se estende também pelos municípios de Nova Laranjeiras, Espigão Alto do Iguaçu e Quedas do Iguaçu.
Em agosto de 1997, o Incra formalizou a criação do assentamento Ireno Alves dos Santos, com 900 famílias, nas terras do acampamento Buraco. O local foi o maior assentamento do Brasil até 2003, quando foi criado, em Quedas do Iguaçu, o assentamento Celso Furtado, com 1.100 famílias.
Nos anos seguintes, novos acampamentos e assentamentos foram criados na região.
Em 2014, uma ação judicial movida pelo Incra contestou a validade dos títulos do imóvel localizado entre Rio Bonito do Iguaçu e Quedas do Iguaçu.
Em agosto de 2017, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) declarou nulos os títulos de propriedade da madeireira sobre as áreas ocupadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), entendendo que as terras, na verdade, pertenciam à União e foram cedidas de forma irregular.
Em 1997, um ano após o início do conflito, a madeireira Giacomet-Marodin passou a se chamar Araupel S.A. O g1 entrou em contato com a empresa para comentar o acordo. A Araupel optou por não se manifestar sobre o assunto.
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Fonte Original: G1
