Yasmin Amorim, de 12 anos, foi enterrada na tarde deste sábado (7) em Cascavel, no oeste do Paraná. O velório ocorreu na Capela Central da cidade, de onde saiu uma cavalgada em homenagem à menina até um cemitério na região sul. Yasmin era apaixonada por cavalos, e familiares e amigos participaram do cortejo como forma de despedida. Assista acima.
A menina era portadora de um tipo de câncer agressivo chamado neuroblastoma e ficou conhecida depois que empresários desviaram R$ 2,5 milhões do tratamento dela. Ela morreu na sexta-feira (6).
Nas redes sociais, a mãe de Yasmim, Daniele Aparecida Campos, informou que a filha estava internada no Hospital do Câncer de Cascavel. A menina convivia com a doença desde 2018, quando tinha cinco anos.
Daniele relembra que foi iniciado um novo tratamento de quimioterapia associado ao transplante de medula óssea. Novamente curada, a menina voltou a ter uma vida normal. Mesmo após cirurgias, fisioterapia e transplante de medula, a doença retornou.
Por isso, em 2024, a família buscou na Justiça o custeio de um tratamento com medicamentos importados, avaliados em cerca de R$ 2,5 milhões. Com isso, foi determinado que o governo do Paraná custeasse o medicamento chamado Danyelza.
Após a apresentação de três orçamentos, a empresa Blowout Distribuidora, Importação e Exportação Eireli foi escolhida para fornecer os remédios. No entanto, a empresa subcontratou outra importadora, que não entregou os medicamentos de forma completa.
O hospital recebeu apenas uma ampola do medicamento Danyelza, quando eram necessárias seis. Outro medicamento, chamado Leukine, também foi entregue parcialmente: das 60 caixas previstas, apenas 10 chegaram, além de versões genéricas.
Na época, a Polícia Civil solicitou o bloqueio das contas das empresas envolvidas. As investigações apontaram que as contas estavam praticamente sem saldo. Segundo a polícia, os responsáveis pelas empresas já tinham antecedentes por crimes de estelionato.
Enquanto a Justiça tentava recuperar os valores desviados, o governo do Paraná chegou a autorizar uma nova compra emergencial da medicação. Yasmin concluiu a primeira fase do tratamento no fim de 2024, sem resposta significativa.
Em 2025, a menina iniciou a segunda fase, mas não conseguiu concluir o protocolo. Por isso, a doença avançou.
Relembre o caso
Lisandro Henrique Hermes e Polion Gomes Reinaux responsáveis pela compra da medicação, foram condenados por estelionato. As penas somam quatro anos, nove meses e cinco dias de prisão em regime inicialmente fechado. Eles estão presos desde agosto do ano passado. Um terceiro denunciado foi absolvido.
Segundo a sentença, os réus usaram a reputação de suas empresas para ganhar a confiança das vítimas e se aproveitaram da estrutura pública para obter vantagem indevida.
A juíza afirmou que as consequências do crime foram graves, uma vez que o atraso no tratamento fez com que a menina precisasse usar morfina a cada uma hora para suportar as dores enquanto aguardava o remédio.
A defesa de Lisandro Henrique Hermes informou que vai recorrer da decisão e sustenta que ele não participou de nenhuma ação criminosa. A defesa de Polion Gomes Reinaux não se manifestou até a última atualização desta reportagem.
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Fonte Original: G1
