A retirada e o desaparecimento de cães comunitários que viviam no centro de distribuição do Mercado Livre em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), foram atos premeditados, segundo o delegado Guilherme Dias.
De acordo com a investigação, houve planejamento para retirar os animais com uso de um veículo alugado para transportá-los até a zona rural de Campo Largo, onde foram deixados.
Segundo o delegado, a ação foi realizada à noite por pessoas contratadas por colaboradores da empresa.
Segundo o Mercado Livre, os funcionários envolvidos foram desligados, e a polícia ainda busca identificar quem determinou o abandono. Dos animais desaparecidos, dois foram encontrados.
Nesta sexta-feira (20), o g1 fez contato com a empresa sobre o caso, mas não obteve resposta. Em 18 de fevereiro, quarta-feira, o Mercado Livre havia afirmado que dois cães haviam sido localizados e que estavam recebendo cuidados em um hospital veterinário. Veja a nota na íntegra.
Os animais desapareceram no dia 28 de janeiro. Inicialmente, o caso envolvia três animais: Xuxa, Lobão e Rajadinha. Depois, constatou-se o sumiço de Cara Preta, a partir de uma denúncia de uma ONG que acompanha as investigações.
Em 17 de fevereiro, última terça-feira, Xuxa e Lobão foram localizados em Campo Largo, a cerca de 20 quilômetros de distância da sede da empresa. Rajadinha e Cara Preta continuam sumidas.
Os cachorros encontrados são castrados e têm microchips de identificação implantados sob a pele, o que facilitou a confirmação que se tratavam dos animais procurados.
Depois da criação do Centro de Distribuição do Mercado Livre em Araucária, alguns cães passaram a viver ali. As irmãs Rajadinha e Cara Preto, o Lobão, a Xuxa e o Branquinho.
Os cães eram mantidos pelos funcionários que sempre faziam registros do dia a dia com os animais.
Na madrugada do dia 28 de janeiro, eles foram retirados de lá. Câmeras de segurança mostram um furgão branco entrando na empresa. A área é restrita a funcionários. Nas imagens é possível ver os cães deitados.
O furgão branco aparece estacionando e, em seguida, um homem se aproxima, com colete da empresa, e os cães vão até ele. Depois, os animais são levados para o carro, exceto o Branquinho.
A cerca de 20 km da empresa, no bairro Botiatuva, em Campo Largo, o veículo aparece passando pela região à 1h40. Dois minutos depois, ele retorna. Segundo a investigação, foi neste tempo que os cães foram abandonados.
No dia seguinte, de acordo com a polícia, funcionários da empresa notaram a ausência dos animais e questionaram para onde eles foram levados. Sem receberem respostas concretas, acionaram a Polícia Civil.
Quando o desaparecimento dos animais começou a repercutir nas redes sociais, o Mercado Livre informou que três cães haviam sido deixados na ONG DNA Animal, de Fazenda Rio Grande, também na Região Metropolitana de Curitiba.
Na ocasião, a ONG confirmou que recebeu contato de representantes do Mercado Livre para uma parceria envolvendo o acolhimento de animais, que foram recebidos em 10 de fevereiro.
No entanto, logo depois, a ONG logo descobriu que os cães acolhidos não eram os mesmos que viviam no pátio da empresa e que estavam sendo procurados. Veja imagem acima.
A ONG DNA Animal informou que “vem buscando e aguardando esclarecimentos da empresa”, e que está à disposição para prestar quaisquer informações necessárias às autoridades.
Leia a íntegra do posicionamento do Mercado Livre:
“Nós, do Mercado Livre, confirmamos que dois dos cães comunitários que viviam nos arredores do centro de distribuição de Araucária foram localizados em segurança e saudáveis, uma notícia que renova nossa esperança. Estão, neste momento, sendo cuidados em um hospital veterinário de Curitiba.
Desde que tomamos conhecimento dos fatos, mobilizamos todos os esforços para concluir a localização de todos os cães e seguimos atuando com equipes especializadas. Encontrá-los e trazê-los em segurança é nossa prioridade absoluta. Estamos colaborando integralmente com as autoridades, fornecendo informações e imagens do circuito interno do centro de distribuição, para que este episódio seja totalmente esclarecido.
Seguimos profundamente sensibilizados com o ocorrido e solidários à comunidade de Araucária. Reafirmamos nosso compromisso com a transparência, com o respeito à proteção dos animais e com a adoção de todas as medidas cabíveis para que situações como essa não voltem a acontecer.”
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Fonte Original: G1
