Um envelope que levou 44 anos para ser entregue revela, agora, novos fragmentos de criação de um dos principais nomes da literatura paranaense: Paulo Leminski.
A jornada começou quando o agora aposentado Ernani Edson de Paula trabalhava como gerente de uma companhia aérea. A equipe entregou a ele um envelope esquecido no avião por um passageiro em uma viagem entre Curitiba e São Paulo.
“Tentamos diversos contatos com eles, familiares e amigos, etc… Mas não conseguimos absolutamente nada, sem sucesso. Aí simplesmente foi arquivado”, detalha.
Sem sucesso na busca, Ernani guardou o achado em uma caixa, e lá o material ficou esquecido. Mais de 40 anos depois, enquanto mexia nas lembranças com a filha, o homem reencontrou o envelope.
Com a surpresa, Ernani confiou à filha Caroline de Paula a tarefa de devolver a carta aos donos.
E de fato tinha. Dentro do envelope, Caroline encontrou 12 folhas. Nelas, tinham alguns poemas escritos à mão, outros datilografados. Havia também um recorte de jornal com uma coluna assinada pelo poeta. Juntos, os materiais revelam o processo de estudos do escritor curitibano, morto em 1989.
Para encontrar a família de Leminski, Caroline procurou o amigo e jornalista Célio Martins, que admite ter ficado espantado com o achado.
“Ela tirou a mochila das costas, abriu, tirou o envelope e disse: ‘Eu tenho isso!’. Eu abri o envelope na mesa e falei [enquanto colocava a mão na boca]: ‘Você está brincando?””, conta.
Para confirmar que os originais eram do escritor curitibano, Célio procurou a família de Leminski. A partir do momento em que as filhas viram os materiais, qualquer resquício de dúvida se dissipou.
“A caligrafia realmente é dele, o estilo, as palavras escolhidas, a métrica, tudo leva a gente a ter certeza absoluta de que esse material era dele”, afirma Áurea Leminski, filha do escritor.
Para Célio, a história, desde o começo, é também literatura.
Áurea classifica o reencontro como mais um novo contato do pai. A família já catalogou mais de 30 mil documentos escritos por ele e, mesmo após 36 anos da morte do escritor, os familiares continuam recebendo materiais inéditos, em uma produção artística que parece não ter fim.
Depois de a carta finalmente chegar ao destino pretendido, parte do material está em uma exposição na Biblioteca Pública do Paraná. Na quarta-feira (18), uma cerimônia marcou a entrega oficial do envelope para a família Ruiz-Leminski.
“Depois de 44 anos, eu considero isso aí missão cumprida”, comemora Ernani.
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Fonte Original: G1
