O último momento com uma pessoa querida que morreu pode marcar muitas famílias. Em meio à dor da despedida, atos simbólicos e o apoio dos agentes funerários no preparo e cuidado ajudam a tornar esse instante mais acolhedor.
Além de reunir a família na cerimônia fúnebre, uma história em Presidente Prudente (SP) chama a atenção pelas lembranças cheias de vida de uma agente funerária que segue a profissão exercida pelo pai e com a qual convive desde pequena.
Ao g1, Fabiana de Jesus Santos, de 47 anos, contou que está há mais de 20 anos na profissão e trabalha na mesma empresa em que o pai, já falecido, Eron José dos Santos, trabalhou a vida toda.
Em celebração ao Dia do Agente Funerário, nesta terça-feira (17), Fabiana relembra os momentos que teve com o pai. A família morava nos fundos da Funerária Athia. “Eu saía do fundo de casa, entrava e ficava olhando o pai trabalhar”, conta.
O contato com a profissão começou aos oito anos. Fabiana gostava de acompanhar o pai, que permitia que ela acrescentasse as flores de palma ao caixão. “A palma era grande, verde embaixo e as florezinhas em cima. Ele falava assim: ‘Filha, já que você quer ajudar, quebra as palmas’. Eu quebrava e colocava. Nunca tive medo.”
Na família, Fabiana era quem mais demonstrava interesse em seguir os caminhos do pai. O irmão mais velho não quis seguir na área, e, quando criança, as primas frequentavam a casa da família e tinham medo, com exceção dela.
“Quando passava o ‘carro preto’, as minhas primas não passavam ali, ficavam de mãozinhas dadas comigo. Elas tinham medo de entrar na minha casa, mas meu pai frisava muito: ‘Os mortos não fazem nada para ninguém, a gente tem que ter medo dos vivos’.”
Eron gostava tanto do que fazia que esse sentimento era transmitido às famílias enlutadas, que, entre os demais agentes, o procuravam para fazer os preparativos do velório, pois ele já havia cuidado de entes queridos da família, como avós, pais e tios.
Entretanto, havia momentos difíceis na profissão de Eron, segundo a filha Fabiana: “Ele não gostava de preparar criança. Sempre emotivo, ele chegava em casa e falava: ‘Hoje eu mexi com um anjinho e eu não gosto, porque me dói muito’.”
Fabiana afirma que levou os ensinamentos do pai para a vida e que eles ficaram ainda mais vivos na memória após a morte de Eron, aos 75 anos, em 2014. Um ano após o pai se aposentar, em 2002, a agente funerária começou a trabalhar na empresa, na área de atendimento ao público, na qual se mantém até hoje.
Na área em que atua, Fabiana relembra um dos momentos mais marcantes da carreira, durante a pandemia global da Covid-19, principalmente entre 2020 e 2021: “O povo ligava e dizia: ‘Perdi minha mãe’. No outro dia: ‘Perdi meu pai’… da mesma família.”
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Fonte Original: G1
