O “olho vivo” da tecnologia tem se tornado o principal inimigo de quem insiste em desmatar ilegalmente o interior de São Paulo. Somente em 2025, o uso de imagens de satélite resultou na aplicação de R$ 4.846.699,38 em multas no oeste paulista.
Ao todo, 43 ocorrências de desmatamento ou degradação ambiental foram registradas com o apoio direto dessa ferramenta na região.
Graças ao monitoramento remoto, a Polícia Militar Ambiental conseguiu localizar e interromper o desmatamento de 123,6 hectares de vegetação nativa. O foco das operações são áreas de Mata Atlântica e Cerrado em diferentes estágios de regeneração.
A Polícia Ambiental utiliza a plataforma do Programa Brasil Mais, que oferece imagens diárias e mosaicos mensais de alta resolução. O monitoramento ocorre de duas formas:
De acordo com a corporação, a tecnologia tornou quase impossível contestar os flagrantes. Mesmo em locais de difícil acesso, onde viaturas não conseguem chegar, o satélite registra o dano.
Além das fotos, o cruzamento de dados com o Cadastro Ambiental Rural (CAR) serve como prova técnica, já que o próprio proprietário declara a existência de reserva ou mata nativa em períodos anteriores.
Neste ano de 2026, em fevereiro, duas ocorrências de degradação de vegetação foram registradas com apoio do satélite.
A primeira aconteceu em Salmourão (SP), na sexta-feira (6). Um homem de 55 anos foi multado em R$ 1.595 após ser flagrado retirando vegetação nativa sem autorização ambiental, em um sítio da zona rural da cidade.
Ao chegarem ao local para fiscalizar a denúncia eletrônica, os agentes encontraram 0,29 hectare retirado de vegetação em estágio inicial de regeneração.
A outra foi em Tupi Paulista (SP), na segunda-feira (9). A arrendatária de um sítio, de 30 anos, foi multada em quase R$ 4 mil por degradação ambiental no bairro Córrego Paineira.
Segundo as autoridades, foi identificada a retirada da borda de vegetação nativa com uso de maquinário agrícola, em que o material lenhoso foi enterrado. Parte da área destruída estava dentro da zona de amortecimento do Parque Estadual do Rio Aguapeí.
Ambas as situações foram identificadas pelo satélite, o que demonstra a eficiência do programa.
Embora o satélite seja eficiente, a colaboração da população continua sendo fundamental.
Ao notar qualquer limpeza de terreno ou movimentação suspeita em áreas de mata, o cidadão pode denunciar de forma anônima pelo telefone 190 ou pelo Denúncia Ambiente, disponível em aplicativo (Android e iOS) e no site.
*Colaborou sob supervisão de Mariana Bonora
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Fonte Original: G1
